Quem mora sozinho pode — e deve — fazer o CadÚnico. A família unipessoal (de uma pessoa só) está prevista nas regras do cadastro e dá acesso aos mesmos programas sociais que famílias maiores. Mas há regras específicas sobre renda e critérios que é importante conhecer antes de ir ao CRAS.
O que é família unipessoal no CadÚnico
Para o CadÚnico, “família” é definida como o conjunto de pessoas que moram na mesma casa e compartilham despesas. Uma pessoa que mora sozinha é considerada uma família unipessoal — uma família com um único membro.
Isso significa que você pode se cadastrar no CadÚnico mesmo morando só. Não é necessário ter filhos, cônjuge ou parentes morando com você.
Critério de renda para família unipessoal
Os programas sociais usam a renda per capita para definir quem pode participar. A renda per capita é a renda total da família dividida pelo número de membros.
Para quem mora sozinho, a conta é simples: a renda per capita é igual à sua renda. Não há divisão porque há apenas um membro.
Exemplo: se você tem renda de R$ 600 por mês e mora sozinho, sua renda per capita é R$ 600. Para o Bolsa Família (limite de R$ 218 per capita em 2026), essa renda estaria acima do limite. Para o BPC-LOAS (limite de ¼ do salário mínimo per capita, ou R$ 353,50 em 2026), também estaria acima.
Isso significa que famílias unipessoais com renda tendem a ter critérios mais difíceis de atender do que famílias maiores com a mesma renda total. Uma família de 4 pessoas com renda de R$ 1.200 tem renda per capita de R$ 300 — abaixo do limite do Bolsa Família. Uma pessoa sozinha com R$ 600 tem renda per capita de R$ 600.
Quem mora sozinho e tem direito ao Bolsa Família
Para o Bolsa Família, o critério principal em 2026 é renda familiar per capita de até R$ 218. Para quem mora sozinho, isso significa renda de até R$ 218 por mês.
É um valor baixo, mas há casos em que é aplicável:
- Pessoas em situação de desemprego sem renda
- Trabalhadores informais com renda muito baixa e variável
- Pessoas que recebem pequenas ajudas familiares sem registro
A seleção para o Bolsa Família é feita pelo governo federal com base nos dados do CadÚnico. Ter o CadÚnico atualizado é o primeiro passo — não garante o benefício, mas é obrigatório para ser considerado.
Quem mora sozinho e tem direito ao BPC-LOAS
O BPC (Benefício de Prestação Continuada) paga um salário mínimo por mês para idosos com 65 anos ou mais ou pessoas com deficiência, desde que a renda familiar per capita seja de até ¼ do salário mínimo.
Em 2026, ¼ do salário mínimo é R$ 353,50. Para quem mora sozinho, isso significa renda de até R$ 353,50 por mês.
Para o BPC, há uma regra adicional importante: desde 2021, o valor do próprio BPC não conta na hora de calcular a renda da família para fins de acesso de outro membro ao BPC. Mas para quem mora sozinho, isso raramente é relevante.
Para mais detalhes sobre o BPC: BPC-LOAS 2026: Quem Tem Direito, Valor e Como Solicitar.
Documentos para o CadÚnico de quem mora sozinho
Quem mora sozinho precisa dos mesmos documentos que o responsável familiar em qualquer outro cadastro:
- CPF
- Documento de identidade com foto (RG, CNH)
- Comprovante de endereço dos últimos 3 meses
- Comprovante de renda (contracheque, extrato INSS, ou declaração verbal se trabalho informal)
Como há apenas um membro, não é necessário reunir documentos de outros moradores. O atendimento tende a ser mais rápido.
Para a lista completa: Documentos Necessários para o CadÚnico: Lista Completa.
Vale a pena fazer o CadÚnico morando sozinho?
Sim — mesmo que você não acesse o Bolsa Família. O CadÚnico é a porta de entrada para dezenas de programas. Alguns não têm critério de renda tão restrito quanto o Bolsa Família:
- Tarifa Social de Energia Elétrica: desconto na conta de luz para famílias cadastradas no CadÚnico com renda baixa. O critério de renda varia, mas pode ser até ½ salário mínimo per capita
- Água e esgoto com desconto: em municípios com concessão, famílias CadÚnico têm desconto nas tarifas de saneamento
- PRONATEC e cursos gratuitos: acesso prioritário a cursos de qualificação profissional
- Isenção de taxa em concursos públicos: famílias no CadÚnico podem pedir isenção de taxa de inscrição em concursos federais
- Carteira do Idoso: para idosos acima de 60 anos com renda de até 2 salários mínimos
Posso adicionar alguém ao meu cadastro depois?
Sim. Se alguém for morar com você (filho, cônjuge, parente), basta ir ao CRAS e atualizar o cadastro para incluir os novos membros. O NIS de cada novo membro é gerado na hora. O cadastro muda de unipessoal para família com mais de um membro.
Para entender o processo de atualização: CadÚnico 2026: Como Atualizar e Não Perder o Benefício.
Perguntas frequentes
Quem mora sozinho em quarto alugado pode fazer o CadÚnico?
Sim. O endereço pode ser de um quarto alugado, república, pensão ou qualquer moradia onde você resida de forma permanente. O comprovante de endereço pode ser a nota fiscal do aluguel ou, se não houver contrato formal, uma declaração do proprietário.
Se eu morar sozinho e não tiver renda, tenho direito ao Bolsa Família?
Sem renda, a renda per capita é zero — abaixo do limite do Bolsa Família. Mas a seleção não é automática. Fazer o CadÚnico é o primeiro passo, e o governo analisa a situação de cada família.
Moro sozinho e tenho 65 anos. Tenho direito ao BPC?
Para o BPC, além da idade (65 anos ou mais), o critério é renda per capita familiar de até ¼ do salário mínimo (R$ 353,50 em 2026). Se sua renda está abaixo desse limite, você pode solicitar o BPC no INSS. O CadÚnico deve estar ativo e atualizado.
CadÚnico 2026: O Que É, Para Que Serve e Como Fazer o Cadastro
Como Fazer o CadÚnico pela Primeira Vez: Passo a Passo no CRAS
Documentos Necessários para o CadÚnico: Lista Completa
Como Consultar o CadÚnico pelo CPF e Saber o NIS
CadÚnico — Ministério do Desenvolvimento Social
INSS — Instituto Nacional do Seguro Social

Rafael Mendes tem mais de 12 anos de experiência em Recursos Humanos e Departamento Pessoal. Trabalhou com admissões, rescisões, cálculo de FGTS, seguro-desemprego, auxílio-doença e benefícios do INSS em empresas de pequeno e médio porte em São Paulo. Acompanhou centenas de casos de trabalhadores com dúvidas sobre seus direitos — e foi dessa experiência prática que nasceu a Central do Benefício. O blog foi criado para traduzir a linguagem burocrática do governo em informação simples e direta, acessível para quem mais precisa. Rafael atualiza os conteúdos regularmente com base nas mudanças do INSS, do Bolsa Família, do CadÚnico e dos demais programas sociais brasileiros.






